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.: MEIO AMBIENTE/RESPONSABILIDADE SOCIAL

.: A RECICLAGEM: POR QUE TÃO POUCO?

Apesar da reconhecida importância, coleta seletiva só é realidade em municípios menores.

Por Carlos Jauregui – Estudante de Comunicação Social da UFMG

Já existe tecnologia para reciclar boa parte do que jogamos fora e a maioria das pessoas reconhece a importância da reciclagem. Ainda assim essa atividade está longe de se tornar uma prática generalizada, principalmente, em grandes cidades. Quando se penas em uma solução para o lixo, o aterro ainda é o destino mais procurado.

Atualmente, dos 853 municípios mineiros, apenas 55 têm usinas de triagem e compostagem de lixo. Locais onde São separados os materiais recicláveis dos não recicláveis e se transforma resíduo orgânico em adubo,. Ainda assim, agente da Divisão de Saneamento da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Denise Brush, acredita eu esses números são bons, já que, em 2001, havia apenas 22 dessas usinas em Minas Gerais. “A população atendida {pelo tratamento de lixo{, cresceu mais de 100% “afirma.

Contudo a solução mais adotada para o destino do lixo ainda é o aterramento que consiste na disposição do material sobre o solo. Em 2002 , havia sete aterros sanitários em Minas , modelo que são tomados cuidados para minimizar o impacto causado pelo lixo no solo e nos cursos d’água. Hoje são 16, além de 1196 aterros controlados, onde não háa controle de chorume e dos gases. Para Denise , a opção pelo aterro tem uma razão técnica. Segundo ela, os modelos de usinas existentes “hoje , em Minas Gerais só podem atender os municípios pequenos, com até 5 mil habitantes”. Ela explica que como foram convocados municípios maiores a se adequarem às diretrizes do Programa Minas em Lixões, quase todos estão implantando aterro.

O professor do Departamento de Engenharia Sanitária da UFMG, Raphael Tobias, acredita na viabilidade da triagem e reciclagem do lixo em grandes centros urbanos, seguindo um modelo de coleta e tratamento descentralizados. “É viável, só que você não vai atender os 2,4 milhões de habitantes (população de BH) na mesma usina. Teria um problema de logístico para trazer este material, armazenar e manipular. Deveria haver usinas por bairros ou por regiões”, afirma. Ele também considera que a participação das associações de catadores é importante, mas que somente elas não teriam capital financeiro para realizar a triagem em grande escala. Denise Bruschi também chama atenção para a viabilidade financeira da reciclagem: “Não adiante afazer só artesanato, tem de ser uma atividade para produção de renda “. Ela também diz que a Feam está buscando formas de apoiar iniciativas na área: “estamos tentando definir, para os que recebem o ICMS ecológico, alguns indicadores que diferem o aterro sanitário “total” que recebe só os resíduos que não servem para mais nada”.

Rafael Tobias ressalta que o fundamental é reduzir a quantidade do lixo produzido e do que chega ao aterro. O Projeto Manuelzão também acredita nessa postura e defende a criação de aterros residuais mínimos. Somente o que não pode ser aproveitado ou reciclado seria enterrado, evitando, assim o desperdício de energia e os impactos ambientais, como a produção de chorume (composto líquido que pode contaminar o solo e cursos d’água) além disto o impacto dos aterros é grande no efeito estufa.

Se por um lado, sabe-se que lugar de lixo nem sempre é na lixeira, por outro, também é conhecido que poucas pessoas estão dispostas a separar o resíduos domésticos em metal, plástico, vidro , papel, orgânicos e rejeitos, Uma das alternativas apontadas é a adoção da coleta seletiva ternária. Nesse modelo, o lixo deve ser separado apenas em seco (geralmente reciclável) , úmido ou molhado (orgânicos, como restos de comida, que geram chorume a parti da fermentação)rejeitos (lixo de banheiro) que não podem ser reaproveitados.

Alguns dos municípios que já realizaram coleta seletiva adotam a separação binária, em que os resíduos secos são separados do úmido, que inclui o orgânico e o rejeito. É o que acontece por exemplo, em São Domingos do Prata, município situado a 136 km de Belo Horizonte. Neste município , os resíduos são coletados suas vezes por semana em um caminhão adaptado e encaminhados à usina de triagem , onde funcionários separam e preparam o material para serem vendidos a empresas de reciclagem.

(fonte: Jornal Manuelzão – setembro de 2006).

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