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.: MEIO AMBIENTE/RESPONSABILIDADE SOCIAL
.: Lixo e luxo, ou melhor, lixo e cidadania, emprego e renda

Há mais tempo tudo que não era aproveitado nas residências, nas casas, na indústria, no comércio, nas empresas de prestação de serviços e agricultura era um grande incômodo para a sociedade, representava trabalho pesado e tinha tristes direções: os “lixões” ou o leito dos rios, provocando inúmeros problemas ao meio ambiente.

Hoje boa parte dele é fonte de trabalho e renda para boa parte da população que antes vivia sem uma mínima condição de vida.

A reciclagem de diversos rejeitos tem gerado emprego, renda e cidadania para milhares de brasileiros. Associações, micro e pequenas empresas são criadas a todo o momento, para coletar, separar e prensar o material para reciclagem. Muitas se dedicam ao transporte e outro tanto para transformar os rejeitos em sacolas, latas de alumínio reaproveitado, adubo, etc, produtos que retornarão à economia e farão gerar dinheiro no comércio, na indústria, na prestação de serviços e na agricultura.

Os setores que mais reciclam são os que produzem alumínio, papel ondulado e PET.

O Brasil é hoje o recordista no reaproveitamento das latas de alumínio e marca presença no reaproveitamento de papel e embalagens PET.

Algumas associações de catadores vêm se destacando, como a mineira ASMARE, que é uma das mais antigas associações de catadores e que tem quase quatrocentos associados, sendo que aproximadamente 250 são mais atuantes. Eles asseguram o sustento de suas famílias com dignidade. Antes, isso não era possível para quase todos, porque trabalhavam de forma desorganizada e sem nenhum poder de negociação. Hoje, eles têm também vale transporte e uniformes, entre outros benefícios.

Dependendo do ponto de coleta, existem muitos associados que chegam a retirar até dois salários mínimos por mês.

Em São Paulo, também existem ações de sucesso, como a Coopeyara, fundada em novembro de 2002 que com 34 cooperados coleta em média 120 toneladas de material reciclável por mês que rendem em torno de R$800,00 para cada cooperado.

A ASMARE, com sede adequada para administração e logística tem o imprescindível apoio do poder público municipal e estadual. A Superintendência de Limpeza Urbana – SLU doa a ela todo material da coleta seletiva.

Maria das Graças Marçal Lima, conhecida como “Dona Geralda”, que criou seus nove filhos com a renda desse trabalho, já fez palestra na ONU – Organização das Nações Unidas.

Para que haja evolução, mais desenvolvimento e geração de renda e trabalho para as populações mais carentes é necessário mais apoio político e ação governamental. Os governantes e organizações de cooperativismo e suporte gerencial devem dar apoio técnico e financeiro para o surgimento e manutenção de associações e cooperativas. Devem estimular a coleta seletiva de lixo, como forma de geração de material “trabalhável”.

No Brasil, segundo o presidente da Abralatas, Paulo Camilo Penna, dos 5563 municípios brasileiros, apenas 237 têm coleta seletiva de lixo.

Quanto mais lixo for reciclado, menos irá para os Lixões e mais para a economia, que fará gerar emprego, renda e melhoria da auto-estima dos brasileiros. Assim o meio-ambiente agradece, aliviado!

Fontes: O Estado de São Paulo (SP), Hoje em Dia (MG)

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