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| .: CRÉDITOS DE CARBONO | |
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Entrou este ano em vigor o Protocolo de Kyoto, ratificado por 141 países. As ações previstas por ele, mais do que a melhoria da qualidade de vida, têm por objetivo a preservação da espécie humana. Infelizmente a maior potência do planeta não aderiu ao que é agora o mais importante tratado voltado para a preservação da vida no planeta. Por ele, os países envolvidos, especialmente os desenvolvidos, assumiram o compromisso de adotar medidas visando a redução de emissões de seis tipos de gases que provocam o efeito estufa, em especial o dióxido de carbono. O objetivo é obter uma redução de 5,2% abaixo do níveis de 1990, para o período de 2008 a 2012. Isto vai possibilitar a redução de centenas de milhares de toneladas por ano. Para cumprir tais objetivos são necessários altíssimos investimentos para as economias dos países envolvidos. Entre outras alternativas para viabilizar os esforços, os países poderiam repassar estes custos para os seus setores industriais, criando impostos sobre emissões. Como a tributação afeta diretamente a relação custo benefício, os países começaram a repensar a relação custo-benefício em função do efeito da tributação para o setor produtivo. Surgiu então a alternativa de negociarem os direitos de poluição entre si: Um país com altos índices compraria os créditos dos países com índices abaixo da meta estabelecida. Assim, foi entendido o conceito de comercialização de créditos de sequestro de carbono ou redução de gazes causadores do efeito estufa. Por este conceito, os países ou empresas que conseguirem superar as metas estabelecidas, reduzindo mais do que o acordado, poderão vender a diferença para empresas ou países que não conseguirem alcançar a meta.
A partir daí, a conotação econômica do seqüestro
de carbono começou a tomar força e surgiu então o
mercado de carbono. A comercialização global conduz a um novo modelo financeiro de compra e venda de carbono, levando até mesmo ao risco de ser comercializado em bolsa, sem trazer benefícios efetivos ao meio ambiente. O protocolo de Kyoto estabeleceu também o MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, um dos seus três mecanismos de flexibilização, em que países desenvolvidos possam contribuir em projetos que permitam o desenvolvimento sustentável de países em desenvolvimento de forma a ajudar na redução de suas emissões, gerando créditos e ao mesmo tempo levando recursos financeiros e tecnológicos adicionais. Cálculos levam a crer que sejam comercializadas 1,6 bilhões de toneladas de carbono no MDL. O Brasil pode se beneficiar muito do MDL em projetos como implementação de sistema de energia solar, eólica, co-geração através de processos químicos e de aproveitamento da biomassa, projetos de reflorestamento. Especialmente na área florestal a floresta plantada pode atuar como um sumidouro de carbono, removendo-o da atmosfera promovendo o “seqüestro de carbono”, que é possível porque a vegetação realiza a fotosíntese, processo pelo qual as plantas retiram o carbono da atmosfera e incorporam à sua biomassa (troncos, galhos e raízes). Citando a sua fonte, a consultoria norueguesa Point Carbon, a revista EXAME, em recente matéria sobre o assunto, diz que pelo menos 60 empresas do Brasil já investem no negócio de carbono, tornando o país um dos destaques do setor, que deverá render para o país 450 milhões de dólares até 2012. A citada revista destacou entre as empresas brasileiras a PLANTAR, empresa de reflorestamento situada em Minas Gerais, como uma empresa pioneira, ao fechar uma negociação de créditos de carbono no mercado, numa operação de 5,3 milhões de dólares com o Banco Mundial. A empresa contribui para reduzir o carbono lançado na atmosfera, aumentando a sua área plantada e controlando a temperatura de queima da madeira para a produção do carvão vegetal. Pela mesma fonte, a Sadia negocia seus créditos diretamente com empresas européias e japonesas, além do Banco Mundial. Seu investimento se direcionou para um programa de absorção de metano emitido pela queima de dejetos de porcos em três granjas, prevendo com ele a redução 10 milhões de toneladas de carbono em dez anos. E cada tonelada de metano equivale a 21 toneladas de carbono na atmosfera. (Fontes: Revista Exame, Jornal do CREA e pesquisas na internet). |
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