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.: RECURSOS HUMANOS
.: INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

“Qualquer um pode zangar-se. Isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil”.

Aristóteles

A inteligência emocional é a capacidade de um indivíduo sentir emoções adequadas, aquelas que evitam decisões precipitadas e/ou desesperadas e também entender as emoções dos outros.

Não adianta a um executivo ter um QI (Quociente de Inteligência) muito alto, ser tecnicamente muito competente, se briga por qualquer motivo com seu pessoal e seus clientes. O QI se adapta muito bem ao mundo do intelecto, mas pode ter dificuldades em lidar com o mundo das pessoas.

O que se espera dos executivos é que tenham alto grau de QE (Quociente Emocional, que mede a Inteligência Emocional), porque quanto maior este maior a capacidade das pessoas em unir auto-estima à capacidade de resolver conflitos.

A maioria das pessoas que tiveram sucesso na vida são aquelas que têm um QE mais alto relativamente ao QI. Para uma empresa, realmente, o que se quer mais de um executivo é que ele saiba lidar com conflitos, que não perca a calma diante das crises, que entenda o sentimento das pessoas à sua volta e que saiba contornar muito bem as suas angústias e ansiedades.

O QE não vem com a genética, se molda com os hábitos da família e com o ambiente.

Segundo Daniel Goleman, a Inteligência Emocional tem alguns componentes que a caracterizam:

Entender os sentimentos dos outros.

Utilizar diferentes formas de encarar situações.

Ter consciência de seus próprios sentimentos.

Avaliar suas ações e suas consequências.

Saber lidar com frustrações, medo, tristeza, depressão e ansiedades.

Saber ouvir e saber perguntar.

Manifestar suas preocupações e sentimentos, sem raiva, mas também sem passividade.

Saber quais são seus pontos fortes e seus pontos fracos.

Saber o momento certo de falar.

Sentir orgulho de si próprio.

Saber adquirir a confiança dos outros.

Ser responsável até em reconhecer seus erros.

Saber lidar com estresse e não dispensar os exercícios e os métodos de relaxamento antiestressante.

No Brasil, muitas empresas já estão medindo o QE dos candidatos a executivos ou mesmo de outro níveis de funcionários.

O teste do Nível Competência Emocional (NCE) busca a descoberta de espírito empreendedor, por isto ele focaliza diretamente o nível de capacidade de:

Realizar.

Ser polivalente.

Correr riscos.

Liderar.

Associar-se.

Automotivar-se.

Agir independentemente.

Exercer o poder.

Manter autodisciplina e conviver com tendências contraditórias.

Os testes de competência emocional trazem vários benefícios para as empresas, tais como:

Identificar os profissionais polivalentes e empreendedores.

Formar equipes com lideranças eficazes.

Facilitar a tomada de decisão nas promoções.

Criar unidades de negócio autônomas.

Identificar áreas carentes de motivação.

Facilitar a tomada de decisão sobre terceirização.

Auxiliar em recrutamento e seleção de pessoal.

Subsidiar o planejamento estratégico de Recursos Humanos e

Agilizar a implantação de programas de modernização.

Já a competência emocional muito baixa ou muito alta traz perigo para a empresa:

Quem tem um nível de competência emocional muito baixa tende a se emocionar muito com os acontecimentos, sejam eles negativos ou positivos. O que o torna pouco recomendável para administrar uma empresa.

Quem tem um nível de competência emocional muito elevado, suporta por demais a sua carga, dificilmente perde o sono por causa dos problemas nos negócios. Isto é indício também perigoso. Os que dificilmente se emocionam não têm um termômetro para regular suas investidas. As pessoas sem escrúpulos são assim. O bom executivo precisa de freios emocionais para ter o medo necessário também.

Competência emocional é encontrada também em outro tipo de indivíduo: aquele que consegue também administrar o insucesso, tirar dele experiência, corrigir as falhas, avaliar friamente a possibilidades de “tentar” novamente e, considerando recomendável, fazê-lo.

Mas as empresas não estão só preocupadas com a questão emocional de seus executivos. Os demais níveis têm recebido toda atenção.

Diversas empresas instalaram “emocionômetros” espalhados por suas fábricas. Em muitas delas o processo é o seguinte: Cada um dos empregados é convidado a diariamente indicar o seu estado de espírito no painel. As convenções são de fácil entendimento, por exemplo: Pino verde para quem está bem, pino amarelo para os que estão “mais ou menos” e pino vermelho para quem não está bem. Os que não estão bem recebem logo a atenção dos colegas, supervisores e, se necessário, da área de recursos humanos da empresa. Se necessário podem até ser mudados provisoriamente de área de trabalho (especialmente os que atuam em área de risco de segurança ou cujo estado de espírito possa comprometer a qualidade do seu trabalho).

.: Velha História Japonesa

“O mais profundo desejo do ser humano é ser apreciado.”

William James

Conta uma velha história japonesa que, certa vez um guerreiro samurai desafiou um mestre zen a explicar o conceito de céu e inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:

- Não passas de um rústico... Não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia!

Considerando-se atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando a espada da bainha, berrou:

- Eu poderia te matar por tua impertinência.

- Isso, respondeu o monge, é o inferno.

Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embanhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge pela revelação.

- Isso, disse o monge, é o céu.

A súbita consciência do samurai sobre o seu estado de agitação ilustra a crucial diferença entre alguém se sentir preso de um sentimento e tomar consciência de que está sendo arrebatado por ele.

A recomendação de Sócrates - “Conhece-te a ti mesmo” - é a pedra de toque da inteligência emocional: A consciência de nossos sentimentos no momento exato em que eles ocorrem.

Trecho extraído do livro “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman (Editora Objetiva).

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