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.: PARA BRASILEIRO, BRINCAR NÃO É PRIORIDADE

Pesquisa realizada desde 2001 pela Ipsos Public Affairs, mostrou que mais da metade dos pais brasileiros apontam como prioridade na vida de seus filhos o ensino escolar, maior segurança e melhor acesso à saúde. E, 31% deles acreditam ainda que a criança deve ter prioritariamente acesso ao estudo de idiomas e informática, porém, apenas 19% vêem o brincar como fundamental.

Apresentado no III Fórum de Desenvolvimento da Criança, o estudo dividiu-se na análise do ato de brincar e na importância dele para especialistas de 16 diferentes áreas que vão da educação, psicologia à arquitetura e a construção de espaços públicos, ordenando a metodologia para a pesquisa quantitativa. Foram entrevistados então, 1.014 pais com filhos de idade entre seis e 12 anos, acumulando 834 horas de informação em 22 diferentes cidades por todas as regiões do país.

"O extenso mapeamento permitiu que avaliássemos nacionalmente como o brasileiro vê a brincadeira, atividade esta que, academicamente, não tinha definição conceituada. Estipulamos, de acordo com as vozes e indicações dos especialistas, uma lista com 35 atividades classificadas quanto à intensidade e freqüência com que são praticadas pelas crianças", explicou o coordenador da pesquisa, Paulo Cidade.

Assistir à televisão, vídeos e DVD é a principal atividade entre as crianças brasileiras (97%), seguidas por cantar e ouvir música (81%). "Nos surpreendemos positivamente com o resultado de que 57% dos pais indicaram a leitura de histórias de livros e gibis como atividade realizada pelos filhos", comemora Cidade.

Para 98% dos pais é importante preparar as crianças para serem bem-sucedidas profissionalmente e unanimemente, os especialistas apontaram o brincar como responsável pelo desenvolvimento de qualidades necessárias para isso. De acordo com os dados obtidos, o coordenador aponta que há espaço de diálogo com os pais para discutir a importância do brincar.

"Apenas 14% dos pais responderam espontaneamente que brincar está associado ao bom desenvolvimento infantil mas, ao serem estimulados, esse resultado cresceu exponencialmente, indicando que este é um assunto a ser pautado na sociedade e discutido, pois, certamente, os pais se mostraram interessados", acredita.

Porém, apesar de 76% dos pais afirmarem que a união entre adultos e crianças em atividades e brincadeiras é sadia, somente 53% dizem brincar com seus filhos diariamente. "Alguns especialistas chegaram a apontar a necessidade de criar horas de lazer no ambiente familiar para promover essa integração", conta Cidade.

Observando a divisão social, constatou-se que 60% das crianças das classes D e E têm preferência por brincar no quintal de suas casas e apenas 6% nos parques e praças públicas. Nas classes mais altas, embora haja pouca variação numérica, verificou-se a preferência pelo brincar no quarto e, nas classes A e B, 15% declararam freqüentar as áreas de lazer ou playground do prédio ou conjunto habitacional.

Os pais das classes A e B acreditam primordialmente que o brincar ensina a convivência e bom relacionamento social, enquanto 53% dos das classes D e E vêem a atividade, primordialmente, como aquilo que deixa seus filhos felizes e os diverte. Do total de entrevistados, 18% apontaram como principal benefício o desenvolvimento da criatividade e 13% acreditam que as crianças aprendem a respeitar mais as regras.

A pesquisa também observou os sujeitos que têm, como direito garantido nacional e internacionalmente, o ato de brincar. Foram avaliados quatro grupos de meninos e meninas, de sete e oito anos, que escreveram diários apontando suas atividades cotidianas, além de máquinas fotográficas para registrar suas principais impressões. "Essas informações possibilitaram a realização do questionário para os pais. Cruzamos as informações com as fornecidas pelos especialistas para mapearmos de forma mais ampla possível o perfil do brincar entre as crianças brasileiras", explica Cidade.

O evento realizado na cidade de São Paulo pelo Instituto Unilever, em parceria com a Ipsos e a marca Omo, reuniu diversos profissionais das secretarias, ministérios e de entidades não governamentais ligadas à infância e à educação para pensar a questão do brincar e promover políticas públicas para garantir o direito expresso no artigo 16 do Estatuto da Criança e Adolescente, no qual está pontuado que esses sujeitos de direito devem ter "liberdade de brincar, praticar esportes e divertir-se."

"A palavra brincar se origina do equivalente latino, vinculum que significa vincular, estabelecer laços. Como então, ainda não percebemos a importância dessa ação na promoção da criança na sociedade?", questiona Cidade.

(Envolverde/Aprendiz)

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