A
evasão escolar em Lagoa Santa, cidade localizada a 20 quilômetros
de Belo Horizonte, é zero. Esse índice, sonho ainda da
maioria das dezenas de municípios brasileiros – meta prioritária
para um país que busca atingir níveis superiores de desenvolvimento
–, é resultado do trabalho voluntário de um jovem
de 20 anos, iniciado em 1995, quando ele tinha apenas 16.
Inconformado em ver fora da escola crianças da periferia de sua
cidade, um adolescente convidou cinco colegas de turma para percorrer
as ruas de Lagoa Santa e descobrir o que levava aquelas crianças
a abandonar os estudos. O grupo conversou com os garotos e seus pais,
procurando encontrar soluções para o problema e oferecendo
aulas de reforço àqueles que apresentavam dificuldades
de aprendizado.
A iniciativa foi, aos poucos, envolvendo toda a comunidade de Lagoa
Santa – professores, políticos e principalmente os jovens.
Batizado de Movimento Arrastão Cívico, o trabalho fez
com que, em poucos meses, cem crianças voltassem a estudar. Hoje,
diversos projetos voluntários são realizados na cidade,
todos buscando melhorar a qualidade de vida da população.
A história de Lagoa Santa é um exemplo de cidadania. E
desperta grande interesse por ter jovens como líderes. Olhando
a triste realidade ao seu redor, eles decidiram “fazer a sua parte”,
talvez sem conhecimento técnico, mas movidos por uma enorme vontade
de melhorar as condições de vida dos moradores da cidade.
O trabalho voluntário ajuda-nos a refletir sobre a cidadania.
Qual é o papel de cada um na transformação da sociedade
brasileira – buscar soluções para os problemas de
educação, saúde, habitação ou meio
ambiente? E o papel do governo? Das empresas? Dos políticos?
Das organizações da sociedade civil? É possível
atuar em conjunto? Quais são os direitos e os deveres de cada
um?
No caso das empresas, assumir a cidadania significa adotar uma postura
sensível aos problemas da comunidade, atuando como agentes no
resgate da dívida social brasileira. Suas ações
devem ser pautadas pela ética e a responsabilidade social assumida
como um processo inerente ao pensamento da organização,
que permeia o individual de cada um de nós, cidadãos.