Estágios Cidadania Gestão de RH Responsab. Socioambiental Artigos Economia Reflexão Cursos e Eventos









www.flaviomartins.com.br




www.flaviomartins.com.br e contato@flaviomartins.com.br
Fale Conosco
.: ARTIGO
.: RIQUEZA QUE VEM DAS MÃOS

O artesanato mineiro enaltece os valores culturais e nos faz pensar o papel do artesão, como preservador da identidade cultural dentro da conjuntura social.

As mãos já estão cansadas pela idade. O barro frio vai ganhando os moldes de um jarro oriundo da criatividade. Depois de moldado, o jarro cru, vai para a fornalha, até ganhar a cor da terra novamente. As mãos férteis, multiplicam os sonhos e os tornam realidade: transforma barro, argila, madeira, fibras vegetais e toda um diversidade de materiais em outros objetos repletos de significados. O acabamento é um “toque mágico”, que vem das tradições culturais e se mistura com as cores do pensamento. Depois de quase um dia de acabamento, o jarro, já pintado, vai para a feira garantir o sustento de toda uma família.

O artesanato, apesar de causar admiração nas pessoas, é um ofício que carrega inúmeras adversidades, como por exemplo, a falta de reconhecimento por parte da sociedade da importância de poder sobreviver com o valor da arte. A artesã de 58 anos, Dona Geraldina dos Santos, encara o trabalho de fabricar jarros de barro com um momento de relaxamento em que ela esquece dos problemas pessoais e mergulha num mundo particular. “Tenho orgulho de falar que vivo de arte, da minha arte. Sou neta de indígenas e de escravos da região do triângulo mineiro. Com meus antepassados aprendi a ganhar o pão de cada dia sem esquecer da tradição cultural do meu povo”, afirma.

Se essa força de vontade precede a imaginação, é bem evidente que ela continuará presente na recriação feita pelo olhar daquele que experimenta a arte. O artista plástico, Fernando Gomes, que expõe quadros de paisagens tipicamente mineiras, como ruas e sobrados de Ouro Preto, na Feira Hippe de Belo Horizonte, considera a arte como uma fonte de desenvolvimento, fruto das raízes de onde vive e experimento das suas tradições. “Com o seu talento, o artesão transforma a realidade econômica e social que está inserido e consegue gerar riquezas. O artesanato é a expressão e valorização das identidades regionais”, diz.

O fazer artesanal deu origem ao modo de produção industrial, que carrega na sua trajetória tradição e inovação. A historiadora da arte Cristina Junqueira afirma que a preservação da identidade cultural de uma sociedade promove mudanças contínuas no modo de viver das pessoas. “Por ser um meio de geração de renda no âmbito social, o artesanato posiciona-se como um dos eixos estratégicos na valorização da nacionalidade de um povo”, declara.

Atualmente, o artesanato mineiro tem firmado presença como produto de exportação e tem levado a diversidade da cultura brasileira, por meio das cores, das formas e, principalmente, dos materiais utilizados com a criatividade e a técnica dos artesãos. Além disso, o artesanato gera uma série de benefícios pelo forte vínculo entre os setores de Artesanato e do Turismo, mediante a inserção do artesão e seu local de produção nos roteiros turísticos. Há também a implementação de estratégias integradas, tais como a comercialização de produtos regionais em pontos turísticos e a ambientação de hotéis e restaurantes, com produtos artesanais, o que evidencia a identidade regional.

Prazer e renda
Na capital mineira grande parte dos artesãos não possui patrocinadores para produção de suas peças artesanais. Alguns têm esse trabalho como passatempo e exercem outra atividade paralela como, por exemplo, o emprego formal. No entanto, outros pertencem a cooperativas e associações e o fazer artesanal é sua única fonte de renda.

A Feira Hippe, em Belo Horizonte, aglomera grande parte dos artesãos mineiros. Lá, a maioria dos expositores produz suas obras com o próprio dinheiro. A artesã e farmacêutica Lara Verônica cria e vende bijuterias e caixas de presente há seis anos, “nunca tive ajuda de ninguém, mas também não procurei nenhuma cooperativa ou associação, faço artesanato por prazer”. Lara diz que para sobreviver unicamente do artesanato é preciso muita estrutura, pois o material é caro e, além disso, deve haver uma dedicação exclusiva. “Nas horas de folga faço minhas peças. O lucro não é muito grande, pois não se pode vendê-las por um preço alto porque senão as pessoas não compram”, completa.

De acordo com dados do IBGE, estima-se que em Belo Horizonte 70% da população feminina produz algum artigo artesanal. Segundo a pesquisa, a tendência é a de que esse tipo de trabalho informal cresça devido à originalidade das criações. “Além de ser maravilhoso usar bijuterias coloridas e diferentes, o artesanato é uma alternativa de renda para quem não tem emprego”, afirma Lara.

Atualmente, existem projetos e programas que incentivam o artesanato como fonte de renda. O Sebrae desenvolveu o “Programa Sebrae de Artesanato”, que foca a identidade cultural das comunidades, destacando a cultura local. Além disso, cria postos de trabalho para os artesãos que pertencem ao programa. De acordo com a coordenadora do programa em Belo Horizonte, Dorotéa Naddeo, essa é uma forma de ajudar as pessoas a terem um retorno de lucros de maneira mais rápida. “Ajudamos a desenvolver negócios e fazer marketing dos serviços feitos”, ressalta.

Em 2001 a professora de Cultura Religiosa da PUC Minas de Contagem, Dilma da Silva, criou o “Projeto Vida”, que tem por objetivo ajudar a população carente da comunidade de Vila Beatriz. O projeto tem oficina que trabalha com a confecção de bijuterias e conta com 30 mulheres que são beneficiadas com o trabalho. Dilma afirma que fornece todo o material para a produção das peças, entre eles sementes e pedras semipreciosas. “Para ser selecionada para participar da oficina, a mulher precisa ser carente. São escolhidas as que têm renda de até 240 reais”. A coordenadora tem grandes expectativas com o projeto, “estamos com planos de exportar as peças para outros países. Além disso, as maiores beneficiadas são as artesãs que antes do projeto não tinham renda”, fala.

Exposição e venda
O fazer artesanal representa uma alternativa de geração ou complementação de renda. Muitas pessoas encontraram nesse segmento, uma solução para driblar o desemprego e ser dono do seu próprio negócio. Hoje em dia, muitos artesãos enfrentam dificuldades para divulgarem seus trabalhos, principalmente, no que se refere à locais para exposição.

Para a artesã e artista plástica, Simone Carvalho, a maior dificuldade é o preço do aluguel das feiras. “Os preços são altos e quase nunca encontramos vagas que refletem com o orçamento gerado pelo artesanato”, argumenta. Em Belo Horizonte existe a Feira Hippe, o Mercado Central, o Central Mãos de Minas, a Feira do Mineirinho, que expõem os trabalhos artesanais e tentam facilitar e estimular a venda e o desenvolvimento da arte.

A Feira Hippe expõe os trabalhos de 2.500 artesãos e funciona aos domingos de 06h às 18h. A assessora de imprensa da Feira do Mineirinho, Carla Leandro, diz que a procura por uma vaga no local é grande e que atualmente todas estão ocupadas. De acordo com Carla, quando surgem vagas é publicado um edital de licitação pública, que é o meio pela qual se consegue a licença permanente. “O espaço da feira pode ser transferido para o cônjuge, filho e irmão, nesta ordem. Sendo necessário comprovar que o trabalho artesanal é realizado manualmente”, esclarece. A taxa mensal para a exposição na Feira Hippe é de R$ 19,26 + R$ 4,26 de taxa expediente. A Feira de Artesanato do Mineirinho funciona de quinta a domingo e reúne expositores de artesanato, decoração, vestuário, calçados, além de apresentar atrações musicais e gastronômicas.

O Mercado Central representa uma grande feira que é considerado um importante centro de abastecimento, com produtos diversificados, como artigos regionais, alimentos e artesanato. Durante o horário comercial, os visitantes do Mercado podem ouvir música e apreciar quadros e artesanato na área de exposições situada na laje perimetral.

Já o Projeto “Mãos de Minas” iniciou suas atividades em 1983, como um projeto do governo que visava apoiar o artesão e produtor informal mineiro em relação à comercialização e à legalização das vendas. Em 1988, transformou-se em uma associação sem fins lucrativos que oferece serviços como legalização de vendas, central de compras, central de vendas, central de exportação, treinamento, consultoria advocatícia e plano de saúde.

Segundo o funcionário da central de compras, Walisson Daniel, a “Central Mão de Minas” atua em áreas que visam incrementar o crescimento empresarial do artesão e do produtor caseiro. “O objetivo não é a comercialização, mas a legalização do produto”, fala Walisson.

Em novembro, os artesãos de Belo Horizonte, também poderão contar com o apoio da XVII Feira Nacional de Artesanato, que será realizada dos dias 21 a 26. Trata-se da maior feira de artesanato da América Latina que acontece desde 1989, voltada para os segmentos empresarial e comercial. O evento faz parte do Calendário Brasileiro de Exposições e Feiras, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inserido também como evento cultural, através da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

.: AUTORES


.: LEIA TAMBÉM:

Reflexões sobre grupos e conflitos organizacionais (Edição 1).

O atendimento que encanta o cliente (Edição 2)


Momentos de Verdade (Edição 4)

Sua Majestade o cliente (Edição 5)

O Sucesso das empresas certificadas pela ISO 9000 (Edição 6).

Amostra Grátis (Edição 7)

Brindes ou presentes (Edição 9)

Reuniões produtivas (Edição 10)

Delegação de autoridade (Edição 12)

Para excelência no atendimento: coloque o cliente externo em 2° lugar (Edição 13)

Bonificação em mercadorias (Edição 14)

Empatia e o atendimento (Edição 15)

Investir nos colaboradores para fidelizar os clientes (Edição 16)

Procrastinar: o péssimo hábito de adiar (Edição 17)

Economia com telefones (Edição 18)

O mundo perde Peter Krucker (Edição 19)

Exposição ou feira: tratamento tributário (Edição 20)

Real supervalorizado penaliza exportadores (Edição 21)

Valor tributável - Despesas de transporte (edição 22)

A organização estrutural (Edição 23)

Bem estar físico - lazer, cultura e esporte (Edição 24)

Remessa de mercadorias em demonstração (Edição 25 e 26)

Tempo e dinheiro: como administrá-los (Edição 27)

Sistemas de atendimento (Edição 28)

Retorno de mercadorias em demonstração (Edição 29)

Alíquotas do IPI (Edição 30)

O&M não morreu (Edição 31)

O que não dizer ao cliente (Edição 32)

O profissional de vendas (Edição 33)

Transporte em veículo próprio (Edição 35)

Aparência X apresentação (Edição 36)

Propaganda: a alma do negócio (Edição 37)

A importância da escolha das prioridades (Edição 38)

Programa 5 S (Edição 39)

Pão: tratamento tributário ICMS/MG (Edição 40)

Programação Neurolinguística (Edição 41)

O que é Iso 9000 (Edição 42)

Dicas para empresas de transporte do estado de Minas (Edição 43)

O desafio de vender os próprios limites (Edição de 44 a 46)

Gestão e Sucesso - Belo Horizonte
Webmaster: Consolação Resende
Copyright 2004 - Powered By: Flávio Martins