| .: ARTIGO | |
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REAL SOBREVALORIZADO PENALIZA EXPORTADORES |
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A conjuntura cambial e monetária atual, nitidamente marcada pelos efeitos da valorização do real em frente ao dólar e das elevadíssimas taxas de juros reais praticadas no Brasil – mesmo a despeito da tendência declinante experimentada nos últimos meses, autoriza antecipar para um futuro não muito distante a inevitabilidade de um ajuste competitivo desses fatores, sob pena de acentuar-se a perda de dinâmica das atividades produtivas, já vislumbrada com alguns sinais bem nítidos, como a queda da produção industrial e arrefecimento do excepcional ímpeto exportador da nossas empresas, observado a partir de 1999, notadamente após a desvalorização cambial e a adoção de livre flutuação do câmbio. Esse esfriamento ocorre num momento em que a demanda internacional continua ainda forte e que esse ânimo vem funcionando como um vigoroso motor da economia, vacinando-a contra os efeitos perversos de turbulências financeiras globais como as que vivenciamos outrora, pelo salto qualitativo e quantitativo das exportações, aptas a gerar, de maneira recorrente, saldos recordes na balança comercial – com previsão de cerca de US$ 40 bilhões para esse ano.
O crescimento das exportações com a sobrevalorização do real é, pois, uma situação transitória que já dá mostras de exaustão, com as empresas exportadoras chegando ao seu limite. O que parece estar acontecendo até aqui., é que as empresas têm se valido de soluções criativas que compensem, mesmo de maneira parcial, as perdas decorrentes, para não sepultar de vez esse momento favorável e duramente conquistado pelo setor exportador. Esse quadro parece encontrar explicação em fatores exógenos como a circunstância de alguns commodites com participação relevante na pauta de exportações se encontrarem em alta no mercado internacional (café, aço, soja,. etc), mitigando os efeitos da queda do dólar, ou porque os embarques refletem contratos celebrados anteriormente, com o dólar em cotação mais favorável, ou mesmo pela diminuição da margem de lucro das empresas, para não deixar de vender ou perder mercado, como é o caso da indústria automobilística, dos fabricantes de papel e celulose, alimentos, ou ainda, pela utilização de mecanismos de antecipação do câmbio para financiar a produção e fugir dos elevados juros internos. Daí o caráter ilusório de se supor possível a convivência duradoura com esse paradoxo. Não há competitividade que resista a uma variação cambial tão significativa. A realidade sempre aflora e o custo de saltos cambiais bruscos é quase sempre muito elevado para toda sociedade. Portanto, melhor prevenir que remediar. Já tivemos uma amostra de situação semelhante, quando o artificioso regime de paridade fixa terminou por impor uma mudança abrupta de rumos na política cambial e uma substancial desvalorização da moeda nacional, na segunda semana de janeiro de 1999. O empresariado brasileiro tem se comportado com muita maturidade e cautela nesta contextura difícil, de forma que o movimento mais intenso observado na seara das importações está ligado ao segmento de bens de capital (maquinas e equipamentos utilizados pelos demais setores para produzir bens ou serviços), que de longe de revelar uma corrida para os importados, reflete o esforço de nosso parque fabril, aproveitando-se da taxa cambial favorável, de se aparelhar com vistas a ampliação e modernização da capacidade produtiva na expectativa do esperado espetáculo do crescimento que todos nós almejamos. Forçoso reconhecer que a queda do dólar teve um alcance benéfico no controle dos preços internos, arrefecendo pressões altistas de grande parte dos produtos que incorporam no seu processo produtivo, direta ou indiretamente, insumos importados, cotados nessa moeda, contribuindo substancialmente para o controle da inflação, a ponto do preços refletidos em alguns índices de preços chegarem a inusitada situação de registrarem deflação. Contudo,
a manutenção de uma política de sobrevalorização
artificial do real por muito tempo, como vem ocorrendo, pode ensejar
problemas muito graves e sepultar ganhos já consolidados no futuro.
Há quem prescreva como alternativa mais viável para coibir
esta apreciação do real, em curto prazo, que o Banco Central
promova quedas mais acentuadas na taxa básica de juros. A lógica
que preside esse raciocínio é de que os juros básicos
elevados promovam a entrada massiva de dólares-financeiros no
país, que somados aos dólares produtivos obtidos pelos
elevados saldos mensais positivos obtidos na balança comercial,
aumentam substancialmente a oferta da moeda americana, diminuindo seu
custo e gerando quedas na sua paridade com o real, mesmo a despeito
das intervenções do Banco Central no mercado, comprando
a moeda americana. |
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| .: AUTOR | |
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